Capítulo 1 - Parte 3
Arco 1 (O Peso da Sobrevivência)
Guilherme: Vai, você tem 2 minutos.
(som de empurrão) (Ashley dá um leve gemido)
Gabriel: Ashley!
Ashley: Moço (com voz de choro)
Narrador: Em um lugar escuro e quadrado, com paredes de ferro e uma saída de ar,
Ashley entrou e me viu na pior das hipóteses, machucado e acorrentado.
Gabriel: (som de gemido) Ash... Ashley você está bem?
Ashley: Eu... Eu tô com medo. (respiros de choro)
Gabriel: Ah Ashley, tá tudo bem.
Narrador: Falei, enquanto eu a abraçava. Ela se espantou, afinal eu não gosto de abraços,
mas não demorou muito para que ela se confortasse em meu abraço.
Gabriel: Eu vou dar um jeito, tá?
Guilherme: Vamos, seu tempo acabou.
Ashley: Não! Moço!
Gabriel: Ashley!
Narrador:(voz séria) Fiquei pistola com aquilo. (som de respiração frenética ao fundo)
Marcelo: Calma tigrão.
(Gabriel acalmando a respiração)
Marcelo: Xiii, olho roxo né? Olha, desculpe pela pancada, tá?
Mas veja pelo lado bom, pela segunda vez eu tratei de você.
E o roxo é temporário, então ele vai passar. (silêncio) É... Eu queria te fazer uma proposta.
Olha, eu sei que vai ser meio difícil para você entender, mas daqui só tem uma forma de sair.
Mas antes, deixe-me explicar o que está acontecendo aqui. Isso aqui é um manicômio, e eu sou um médico...
Amador. Eu fiz uns cursos, então acho que posso dizer isso. É... Olha, o que eu estou tentando dizer,
é que aquelas pessoas que você viu, são comestíveis, são doidas, e nem sabem direito o que está acontecendo.
Cada corte é um sofrimento, e cada curativo é uma forma de amor "diferente" mas para os pacientes desse lugar, que nunca sentiram carinho,
posso garantir que é algo muito prazeroso para eles.
Então é uma troca que todos saem ganhando. Todos são alimentados.
Eu sei, parece loucura, mas sim, é possível viver alimentando-se de si próprio. Terá uma vida breve, mas é possível.
Por isso estou aqui te dando uma opção de se juntar a nós.
Ajude-nos a conseguir pessoas, para repor eles, quando se forem,
e garanto que você não passará fome.
Gabriel: Não! Eu não tenho interesse em comer pessoas.
Marcelo: Nanana, péssima escolha hein, rapaz. Olha, eu não sei se você entendeu o que eu estou te propondo aqui.
Mas se você não ajudar a gente a conseguir pessoas, você será essa pessoa.
Eu vou te dar mais um tempo pra pensar, tá bom? Depois eu volto aqui e vejo se você mudou de ideia.
(som indo embora)
[Música curta de suspense]
Gabriel: Eu tenho que arrumar um jeito de sair daqui.
*Corte de cena*
Marcelo: (suspiro)
Guilherme: Ele aceitou?
Marcelo: Ele é meio difícil. Dei a ele mais um tempo pra pensar, mas, independente da resposta, vamos sair no lucro,
com ele ao nosso lado, ou aumentando nosso estoque.
Guilherme: É.
Marcelo: Agora, você mocinha, não vai ficar aqui só coçando. Vai ser produtiva. Com sua idade eu capinava era lote.
Você pode... (pensando...) Pelo seu tamanho...
Já sei! Teve alguns lugares apertados na delegacia onde não consegui entrar. Se tivermos sorte, encontraremos algo.
Guilherme! Cuide do nosso prisioneiro, vamos sair.
Guilherme: Voltar à delegacia?
Marcelo: Sim. Proteja o local e não deixe que nada se aproxime. E sobrinho, tome cuidado.
[entrada de uma música para transição de cena]
Narrador: Com aquele abraço que dei na Ashley, consegui tirar discretamente uma presilha do cabelo dela. Altamente calculado.
É, abraços realmente não é comigo.
Usando a presilha, comecei a me desamarrar. (som de algemas sendo destrancadas)
Gabriel: Isso!
(som de corrente caindo)
Narrador: Agora sair daqui. Andei até a porta e... (som de porta trancada)
Ah! Claro, me amarrar não é o suficiente, né? [som de vento vindo de uma saída de ar]
Uma saída de ar? Não parece ser tão resistente. (som de arrancando a proteção do ar)
(som de rastejando pelos dutos)
Guilherme: Ué, ratos? (som de dutos de fundo)
(som saindo do duto) Gabriel: É!
Guilherme: Mas, que porra!
Narrador: Droga... O sobrinho tinha aparecido. Por sorte, ele estava desarmado, o que não o impediu de vir correndo em minha direção.
Sabia que em uma briga estava em desvantagem ali, já que ainda sentia dor por causa do tiro.
Quando o vi correndo em minha direção, tive que pensar rápido, até que percebi que ele tentou me dar um soco.
Só que... Era um soco óbvio demais.
Então, eu simplesmente desviei, e isso me deu um grande espaço para pegar a cabeça dele e bater contra a parede.
Depois que vi o sangue escorrer e ele ficar tonto, ali estava a oportunidade perfeita para dominá-lo.
Olhando em volta, percebi que estava na cozinha.
Gabriel: Meu Deus.
Narrador: Tão estranho como todos os lugares que não tinha acesso, era sombrio.
Neste não havia pessoas amarradas, mas carne delas pendurada no teto.
Olhando para o Guilherme (e usando uma voz maligna) ao lembrar do tiro, peguei uma faca de açougueiro que ali havia.
Levando-o para sala de jantar, eu disse.
Gabriel: Você não fará mal a mais ninguém.
(som de faca afiada)
Marcelo: Sobrinho!
Narrador: O tio voltou, parecia ter esquecido algo. Ao passar pela sala e me ver segurando uma faca e o seu sobrinho,
rapidamente também pegou a Ashley de refém (gemido suave de Ashley). Usando sua espingarda ele disse.
Marcelo: (com uma voz maligna) Ora, vejo que alguém conseguiu escapar da geladeira. Acho que te subestimei, garoto.
Deveria ter o matado, evitaríamos essa confusão. Eu vou pedir uma vez, solte-o, ou eu mato ela.
Aproveite que estou de bom humor, e talvez eu o deixe viver.
(silêncio...)
[Música de suspense surge, aumentando gradualmente]
Narrador: Passado algum tempo, o tio começou a apertar o pescoço de Ashley (Ashley: gemido de dor).
Então, comecei a apertar o pescoço do Guilherme também (Guilherme: gemido de dor).
(com uma voz de adrenalina) - E ele começou a apertar o pescoço da Ashley mais forte e...
Gabriel: Para! Acha mesmo que confio em você?
Nada garante que realmente me deixará vivo.
Marcelo: Você vai ter que arriscar.
Narrador: Eu precisava agir diferente. O tio era insano e não tinha consideração por ninguém — o cara come pessoas!
Mas ele tinha uma fraqueza: Guilherme, o único que restou de sua família.
Não sabia, mas mesmo assim tentei persuadi-lo usando sua conexão familiar.
Gabriel: Isso não precisa ser assim.
Se você soltar a Ashley agora, podemos conversar. Eu posso ajudar você a conseguir pessoas para... para...
Marcelo: Para repor? Não não, essa proposta não está mais em vigor. Você me desafiou, e isso eu não posso aceitar.
Gabriel: Sendo assim, também lhe dou apenas duas opções.
Você pode soltar a Ashley e podemos conversar, ou então eu, Ashley e Guilherme morremos aqui e agora.
(Marcelo pensa...)
Marcelo: (suspiro) Tudo bem, eu solto a garota. (Marcelo solta Ashley) Pronto, agora é sua vez.
Narrador: Usando Guilherme como escudo humano, fui me aproximando do velho. Tinha um plano.
Gabriel: Você quer? Então pegue-o!
Narrador: Empurrei o Guilherme para cima do velho. Desorientado, Marcelo atirou.
BUM!
Pulei em cima dele e ele deixou a arma cair.
(sons de gemidos e respirações)
Narrador: Ashley pegou a arma.
Guilherme: Me dê essa arma, garota!
Gabriel: Ahh!!
(som de faca)
Narrador: Enfiei a faca no bucho do tio. (efeito de foco) O silêncio foi absoluto.
Marcelo: Han...
Narrador: Marcelo gemeu enquanto eu retirava a faca do seu bucho.
(som de faca sendo retirada)
Olhando para mim com um rosto de paisagem, ele começou a cuspir sangue.
(fim do efeito de foco)
Guilherme: Me dê! (som de arrancada)
Narrador: Guilherme tinha arrancado a arma da mão de Ashley. Eu coberto de sangue, batalhei com ele pela arma,
mas ele conseguiu levar a melhor e me deu uma coronhada, o que fez com que eu caísse no chão.
Olhando para Guilherme, vi que ele mirava a arma para mim novamente. Nesse momento, Ashley segurou o braço dele e gritou: "NÃO!"
Isso fez com que ele errasse o tiro. Irritado, ele empurrou Ashley de novo, e foi nesse momento que me levantei e fui com tudo pra cima dele.
Consegui desarmá-lo e derrubá-lo. Agora, apontando a arma para ele, eu disse:
Gabriel: (voz maligna e alta) Você gosta de atirar em pessoas né?
Ashley: (voz de medo) Moço?
Narrador: Ashley estava apavorada, não podia ser tão maligno assim, ela poderia ter medo de mim.
Gabriel: Droga. Sem ressentimentos, garoto. (hum) Você tem sorte.
Narrador: E atiro em sua perna. (Pow!)
*Corte de cena*
[Som de floresta gradualmente baixando]
[som de cachoeira]
Narrador: Achamos uma cachoeira, como estava coberto de sangue, achei um bom lugar para me lavar.
Após estar desprovido de tudo, cobrindo apenas as partes íntimas, me senti ótimo,
tomando meu primeiro banho desde o início do apocalipse. Após as roupas secarem, Ashley e eu continuamos nosso caminho.
[sons de passos]
Narrador: Nesse momento, fiquei preocupado. Eu tinha que dizer algo para a Ashley.
Desde o manicômio, ela não falava nada, só balançava a cabeça.
Gabriel: (suspiro) Ashley, preciso conversar com você sobre o que aconteceu lá atrás.
Olha, não é legal matar pessoas, mas...
Ashley: Aquelas pessoas eram malvadas, né?
Gabriel: Sim, elas eram. (silêncio)
Ashley, você... confia em mim?
Ashley: Sim.
Gabriel: Olha, eu não vou mentir para você, mas o mundo tá mudado.
Você precisa aprender a se virar sozinha. Eu poderia ter morrido, e você? Iria ficar com... com...
Ashley: Eu ia ficar com medo.
(som de choro) Eu... Tô com medo.
Gabriel: Ah Ashley, está tudo bem, vem cá.
Narrador: Eu abraço Ashley.
Gabriel: Shhh, eu ainda estou aqui... *EFEITO DE MÚSICA PARA* Eu ainda estou aqui.